Significação e expressão na metafísica da música de Schopenhauer

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DOI:

https://doi.org/10.47456/sofia.v15i1.52371

Palavras-chave:

Shopenhauer, metafísica da música, estética musical, expressão e significação

Resumo

Schopenhauer concebeu a música como uma arte genuinamente metafísica e cosmopolita, pois acreditava que nela a Vontade ganharia voz numa linguagem universal e imediatamente compreensível. Sua metafísica da música é, porém, tão interessante quanto ambígua. Interessante, pois, entre outros aspectos, resiste às críticas à “estética do sentimento” realizadas por Hanslick, aproximando-se do seu “formalismo”. Ambígua, já que, por um lado, enquanto compreende a música em relação às demais artes, Schopenhauer tende a vê-la como uma arte mimética, cuja linguagem é tanto mais rica em significação quanto mais penetrante é sua referência ao mais íntimo das coisas. Por outro lado, enquanto compreende a música nela e por ela mesma, destacando sua autonomia e proximidade à filosofia, Schopenhauer tende a vê-la como uma arte epifânica, cuja linguagem é tanto mais expressiva quanto mais nos deixa ouvir a dinâmica mesma da Vontade. Porém, como Schopenhauer não distingue claramente entre significação e expressão, o problema da semântica musical, que ele julgara ter resolvido, resulta numa aporia insolúvel, perante a qual a metafísica sucumbe, sem, porém, arrastar consigo a própria música.

 

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Publicado

17-06-2026

Como Citar

BARBOSA, Ricardo. Significação e expressão na metafísica da música de Schopenhauer. Sofia, Espírito Santo, Brasil, v. 15, n. 1, p. e15152371, 2026. DOI: 10.47456/sofia.v15i1.52371. Disponível em: https://portaldepublicacoes.ufes.br/sofia/article/view/52371. Acesso em: 18 jun. 2026.