A Peleja entre o Feminino e o Masculino no Romance da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/q6ef0e61

Palavras-chave:

Feminino; Saberes Ancestrais; Oralidade Sertaneja.

Resumo

Este artigo propõe uma hermenêutica da obra Romance da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, buscando compreender como o feminino se manifesta no texto. Em vez de partir do contexto do autor, faremos uma interpretação da voz do narrador-protagonista Quaderna, em sua “peleja” com as vozes das personagens femininas – humanas e não-humanas. O termo peleja refere-se, aqui, ao paradigma cultural e epistêmico, que na obra suassuniana se apresenta mediante dois saberes ancestrais – a saber, o medicinal da Jurema Sagrada e o literário do cordel/cantoria –, cuja gênese histórico-mítica incide no território entre a Paraíba e Pernambuco. Enraizada num microcosmo sertanejo desse território, esta obra apresenta as implicações do ordenamento cósmico (mundo), com seus aspectos ecológicos, espirituais e histórico-míticos locais, para compreender as estruturas que regem o ordenamento social (relações inter-humanas), tensionando a narrativa hegemônica do patriarcado.

Biografia do Autor

  • Juliana Rodrigues Morais, Universidade Federal Fluminense

    Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense (2024). Dentre as áreas de interesse, destacam-se: Estudos da Subjetividade, Teoria Sociológica, Filosofia das Ciências Sociais, Estudos Pós-coloniais, Estudos Decoloniais e Pensamento Social no Brasil.

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Publicado

14-05-2026 — Atualizado em 14-05-2026

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