Um lance de búzios: a representação da ancestralidade em Cidinha da Silva
DOI:
https://doi.org/10.47456/q8qqbe02Keywords:
Exu. Representação. Ancestralidade. Encruzilhada. Literatura-terreiro.Abstract
O objetivo central desse artigo é problematizar como se dá a representação da ancestralidade na literatura da escritora negra e mineira Cidinha da Silva. Terei como corpus literário duas obras importantes da autora para se compreender a noção de encruzilhada e o mito de Exu como pedra filosofal e poética da encruza que são “Um Exu em Nova York”, de 2018 e “Exuzilhar” de 2022, ambas publicadas pela Editora Pallas. Como teor metodológico, privilegiarei a encruzilhada como procedimento, tal como nos ensinou a ancestral Leda Martins (2021), a partir de uma discussão “de dentro”, que se constituiu como “literatura-terreiro”, tal como pensou Henrique Freitas (2011). Um dos resultados esperados se dá a partir da compreensão de que a literatura diaspórica da autora nos dá uma dimensão expandida e mais complexa de Exu enquanto pedra filosofal, bem como o entendimento de que o conceito de literatura-terreiro pode expandir a nossa cosmo percepção acerca do mundo e da literatura negro-brasileira.
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