A revolução não faltou ao ensaio: a cegueira branca e o risco do capitalismo atemporal
DOI:
https://doi.org/10.47456/4dgrqb55Palavras-chave:
Capitalismo, Revolução, Sociedade industrial, Narrativa saramaguiana, RepresentaçãoResumo
Neste estudo, iremos refletir como José Saramago, sob uma perspectiva marxiana, representa o grupo de cegos protagonizado em Ensaio sobre a cegueira, que passam a viver de uma forma cada vez mais instintiva, a se confundir muitas vezes com o meio de vida dos nômades e caçadores-coletores. Em nossa leitura, trata-se essa estratégia de uma tentativa de Saramago representar não somente um momento regressivo, mas sobretudo um momento pós-revolucionário com base na noção de “comunidade natural-espontânea” que o filósofo alemão utiliza para pensar as esferas profissionais das famílias ou tribos pré-capitalistas. Com isso, veremos que a nova sociedade representada no final do romance se vê livre das imposições do estado e do mercado, o que proporciona uma retomada utópica a partir da gênese de um novo organismo, tendo em vista que os diversos componentes do grupo de cegos que apontam para outras formas de se relacionar em sociedade.
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