Rimbaud: um híbrido subalterno em contexto colonial?

Lohaine Jardim Barbosa

Resumo


Este trabalho visa produzir reflexões sobre subalternidade e hibridação em condições de modernidade ampliada, a partir da uma leitura indiciária da obra e vida de Arthur Rimbaud. Para tanto, empreendo uma análise indiciária de sua poesia e seus poemas, em especial, “Carta do Vidente” e “Alquimia do Verbo”, entre outros, e também de cartas escritas por Rimbaud ou endereçadas a ele. Uma outra fonte de dados privilegiada neste trabalho foi a utilização de biografias do autor, pretendendo-se uma “prosopografia”, ou seja, um estudo de sua vida a partir de seus relacionamentos, suas cartas, relatos, e suas interações. E procuro, construir um campo de visões/enunciações da subalternidade presentes nos poemas e poesias do autor, e também experienciada pelo próprio poeta em suas fugas de casa e viagens pela África. Destacando o “ocidente subalterno”, propondo a leitura da "enunciação poética" de Rimbaud enquanto uma enunciação subalterna em contexto colonial (um camponês, meio francês meio alemão, na Paris burguesa do século XIX, irrompendo a cena intelectual e posteriormente desiludido e negando seu passado, seu nome e sua poesia). No citado capítulo proponho a discussão do autor enquanto um “intelectual desterritorializado", refletindo sobre a possibilidade deste servir de modelo para se compreender o enunciado subalterno, mesmo dentro de um contexto colonial, e não num contexto pós colonial como o conceito vem sendo tratado pelos seus principais teóricos Hommmi Bhabha (1998), Hannerz(1997), entre outros.  Ao discutir o hibridismo, proponho a noção de “subjetividade subalterna" e enfatizo a importância das teorias que tratam dos processos de hibridação para uma melhor compreensão dos complexos fenômenos de formação e transformação das subjetividades em condições de subalternidade – que nasceriam do agenciamento.


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