“Se tiver que fazer vou fazer e quero ver a prefeitura derrubar”: etnografia num coletivo em meio ao ordenamento territorial da cidade de Vitória - ES

Márcio Antonio Farias de Freitas

Resumo


O município de Vitória - ES tornou-se palco de discursos sobre “sustentabilidade” e “ecologização”, sobretudo a partir da década de 1990, com a criação do Projeto Vitória do Futuro, Programa Terra Mais Igual, Área de Proteção Ambiental do Maciço Central e seu Zoneamento Ecológico-Econômico, Plano Diretor Urbano, e também com a administração do Parque Estadual da Fonte Grande, transferida ao poder municipal pelo governo estadual. A partir de então, todo um aparato institucional é utilizado para fundamentar um
conjunto de políticas desenvolvimentistas e discursos sobre “sustentabilidade” que desconsideram as matas dos morros e seus arredores como ambientes de socialização e pertencimento de diversos coletivos da cidade. Através de processos autoritários de ordenamento e remoção territorial - em busca da criação de uma “cidade verde” - é negada não só a existência de relações desses coletivos com o território, mas com os demais sujeitos que compõe a cosmografia do lugar, o que tem gerado diversos conflitos socioambientais. Nesse artigo busco demonstrar, através de uma etnografia, os efeitos
dessa política ambiental municipal num desses coletivos, bem como a política do abandono e as restrições impostas pela Prefeitura Municipal de Vitória - PMV, além de como esse coletivo agencia suas formas de resistência às investidas dessa em tentar tirá-lo de lá.


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